terça-feira, 30 de outubro de 2007

Entrevista com Murilo Hauser

Entrevista realizada pela continuísta Bruna Robassa
Carreira
1.Como começou o interesse por cinema

Meu interesse por cinema deve ter começado antes mesmo de eu nascer. Meu bisavô era musico, ele tocava no cinema mudo. Acabou comprando o cinema em que ele trabalhava, então a minha família sempre teve isso com imagem – meu avô filmando em super 8 enquanto eu crescia, passando filmes em 16mm para a família nas festas.

2.Quais as suas influências – cinematográficas, literárias etc

Bom, quanto aos cineastas que são inspiração pra mim, tem vários. Costumo pensar que a minha educação visual foi toda feita através do Kubrick. Ele foi o primeiro cineasta a fazer a minha cabeça, a me mostrar que o cinema podia ser muito mais do que ele normalmente é. Com seu rigor conceitual (e formal), ele criou obras imensas, com o poder de mudar não apenas o cinema mas, acima de tudo, as cabeças das pessoas. Com Woody Allen eu percebi, pela primeira vez, o que era marcar a cena com os atores; a humanidade dos personagens e sua pulsação humana, viva. O Bergman me mostrou como ser pessoal, como se expor tendo a arte como filtro. Tem o Eisenstein, que é um gênio, não só na montagem, como muita gente pensa, mas nos enquadramentos e no cinema como ferramenta histórica. O timming perfeito da comédia de Billy Wilder, as imagens lindas e góticas do Tim Burton, a poesia do Pasolini, do Tarkovski e do Antonioni.

3.A sua formação – instrução, família, amigos, coisas que gosta de fazer, inspiração...

Lembro de ter ido ao cinema a primeira vez muito pequeno, e de ver muitos filmes em casa, com meus pais. Dividia meu tempo entre o cinema e a locadora.Então quando eu decidi que ia fazer cinema, fazer disso a minha profissão, a decisão foi bem aceita pelos meus pais e fui sempre estimulado por todos.Depois de muito tempo brincando com a filmadora VHS em casa, e de estudar e trabalhar com fotografia por algum tempo, comecei com o cinema em 1999, quando entrei na Artcine; conheci algumas pessoas que também queriam fazer filmes e começamos a filmar. De lá pra cá aconteceu muita coisa, mas tem alguns eventos que eu queria destacar: primeiro a oficina de assistente de câmera com o Hugo no festival de cinema de Curitiba, que foi um dos meus primeiros contatos com câmeras de cinema. Depois uma oficina de direção de atores que eu participei na mostra de cinema de são paulo ministrada pelo diretor argentino Fernado Solanas. Ainda teve o curso de cinema com a Tizuka Yamazaki, na Fap, a master class com o Francis Ford Coppola, oficina de fotografia com o John Ward (que trabalhou com o Kubrick, Tim Burton, Luc Besson), a especialização em cinema, mostras e festivais, que também são parte da formação de um cineasta.

4.Quais os temas que mais trabalha nos filmes?

Acho difícil falar de temas nos filmes que produzi. Acho que cada filme é um filme, cada momento da nossa vida em que entramos em um processo de criação somos outros, as questões são diferentes e a maneira como estamos entendendo e nos relacionando com as nossas vidas são novas. Porém hoje, revendo os meus filmes, percebo meus interesses por coisas como isolamento, solidão, a comunicação e conexão entre as pessoas e entre as pessoas e o universo em volta delas; também a percepção sensorial do mundo, o espaço e o tempo, a memória, o tomar de decisões e os caminhos para os quais elas nos levam.

5.Filmografia (título, bitola, duração e ano de estréia de todos os filmes)

6.Carreira dos filmes – prêmios, críticas


Filmografia

- "Vende-se", 1999. BetaCam, 1min30seg. Roteiro e Direção. (Integra o acervo da escuela internacional de Cine e Television de Cuba. Festival imagem em 5 minutos, na Bahia)
- “Alice”, 1999. BetaCam, 2min. Roteiro, Direção e Câmera. (Festival imagem em 5 minutos, na Bahia)
- “cinira e a mochila”, 2000. BetaCam. Assistente de Direção e Composição de Trilha Sonora (melhor vídeo de ficção – Festival de Cinema e Vídeo de Curitiba)
- "minha mãe, minha filha, minha mãe.", 2000. BetaCam, 1min. Direção. (VII festival internacional de cine de Valdivia, Chile. 24 Tokio Vídeo Festival, Japão. 29 Festival de cine Huesca, Espanã. Prêmio ABC de cinematografia, 2001 São Paulo. Mostra do Filme Livre, CCBB Rio de Janeiro. Exibido no programa Zoom da TV Cultura.)
- "Insomnia", 2000. BetaCam, 1min. Roteiro e Direção.
- “Montanhas não são Elefantes”, 2001. BetaCam, 10min. Roteiro, Produção e Direção (Exibido na TV Cultura).
- “entre cão e lobo”, 2002. 35mm, 1min. Roteiro, Produção e Direção. (3° lugar no 1° Festival do Minuto de Curitiba, 2002, selecionado para o Lucky Strike Lab, 2002)
- “COCOON”, 2003. 35mm, 1min30seg. Direção, Produção e Montagem. (exibido na Quadrienal de Cenografia de Praga, República Checa, 2003 e na “Semana da Arte Paraná - Brasil em Córdoba” , Argentina)
- “Pandora”, 2004. 8mm. 3min. Direção. (Mostra do Filme Livre, CCBB Rio de Janeiro).
- “já estamos todos mortos”, 2004. Digital e 8mm. Direção, Roteiro, Produção e Montagem. (exibido no Curzon Cinema, Londres. Mostra Londrina de Cinema)
- "OUTUBRO", 2007 35mm. 15 min. Direção e Roteiro. (contemplado pelo edital municipal da Fundação Cultural de Curitiba)
– “entre silêncio e sombras”, 2007. 35mm. 6 min. Roteiro, Direção e Produção. Produzido pela Amazing Graphics Brasil, em Curitiba. (contemplado pelo edital de curta-metragem do gênero animação do Ministério da Cultura).

7.O que foi mais marcante em sua história profissional (pedir pra contar a história...)

Desde a época em que comecei a trabalhar com cinema, em 1999, me aproximei muito das artes cênicas também, criando vídeo projeções e trabalhando como diretor assistente em produções de teatro (A Vida é Cheia de Som e Fúria, Avenida Dropsie, Thom Pain Lady Grey) e óperas (O Castelo do Barba Azul, O Empresário, A Flauta Mágica). Essa experiência está sendo fundamental na minha formação, pelo trabalho com texto, com adaptações, com atores e com a agilidade de produção e resolução de problemas (tanto de produção quanto criativos) em tempo real.

8.Como definiria o seu estilo como diretor?

Não acho que eu já tenha um estilo definido como diretor. Sei do que gosto – planos longos e bem compostos, movimentos de câmera que se justificam emocionalmente, silêncios e muitos espaços abertos para interpretação – mas isso tudo pode se manifestar de diferentes formas, de acordo com o filme. Por exemplo, o último filme que lancei, “Outubro”, tem um tempo muito especial, muito estendido, diluído – as coisas acontecem e reverberam, como um eco em uma caverna. A edição deixa todo o espaço do mundo entre os planos, oferecendo muitas leituras diferentes. Já no trabalho que estou fazendo agora, a animação “entre silêncio e sombras”, o tempo é outro, com planos muito curtos e entrecortados, ritmados, como e um Allegro, uma partitura de semicolcheias. Mas a preocupação com o tempo, a intenção e a sensação despertada pelo plano continua lá. Então acho que teria que dizer que a minha característica como diretor é a preocupação da linguagem com o conceito da obra, uma certa rigidez artística que é fundamental para que eu possa entender e me relacionar com o processo de criação.

9.Como tem sido o seu modo de realizar filmes - produção, verba, recursos humanos (pedir para descrever como acontece o processo, desde a criação)

Estou trabalhando em produções com dinheiro público para os meus filmes há muito pouco tempo. Até 2004 produzi independentemente, sem verba pública alguma, negociando apoios e trabalhando com os amigos e parceiros de criação. Mas desde então já produzi trabalhos com apoio da prefeitura, da fundação cultural, do ministério da cultura e da lei rouanet. Atualmente estou fazendo um curta que ganhou um edital do Minc e em janeiro começo o próximo que será patrocinado pela Petrobrás.
Quanto ao processo de criação, normalmente começa com uma idéia, ou apenas uma sensação minha, que eu desenvolvo por algum tempo, até se tornar alguma coisa mais palpável – o que pode ser um roteiro propriamente dito, um projeto ou apenas um caminho. Depois da parte prática de montar o projeto e encaminhar para alguma lei ou edital, vem a fase em que convido algumas pessoas para me ajudar a desenvolver a idéia criar esse trabalho. Meus parceiros mais freqüentes são Denis Pedroso, Hugo Timm e Henrique Martins. Fazemos reuniões de criação e então a produção propriamente dita começa (ensaios, testes de elenco, produção de figurinos, contratação do resto da equipe). Mas o processo começa e termina sozinho, porque depois da produção vem a finalização de um filme, que leva ainda mais tempo e que, normalmente, eu acompanho sozinho. É um trabalho maravilhoso, um processo rico tanto profissional quanto pessoalmente.

10.Como são divulgados os seus filmes?
Não respondeu

11.De que forma as leis de incentivo, as escolas, a TV Educativa e a RPC, entre outros, têm ajudado a sua carreira?
Não respondeu

12.Sobre a questão técnica - poucas pessoas conseguem sobreviver de cinema no Paraná, portanto toda a equipe técnica acaba "fugindo" para a publicidade para sobreviver da sua profissão. Como é lidar com isso? Com quais os técnicos tem trabalhado mais frequentemente e o que significa.

Divido meu tempo trabalhando com o Cinema e Teatro. Não trabalho com publicidade há muitos anos, o que me deixa feliz. Hoje me sustento com minha profissão, como artista. Acho que é resultado de muito trabalho, dedicação total e incansável. Nos meus filmes conto com profissionais de todas as áreas: do cinema, da publicidade, designers, músicos, gente do teatro. O que importa é o comprometimento com a obra e com a vontade de fazer, de se entregar a um processo intenso e rigoroso. Meus parceiros mais freqüentes são Denis Pedroso, Hugo Timm e Henrique Martins.

13.E a formação de mão de obra – tem opinião formada sobre os cursos de cinema locais?
Não respondeu

14.É possível viver de cinema no Paraná? É só a questão financeira? Quais são as outras dificuldades? O que é necessário para que o profissional possa viver só de cinema?

Fazer cinema no Paraná é como fazer cinema em qualquer outro lugar – uma luta interna. O ambiente de produção e as condições de trabalho podem mudar, mas o que importa são as cabeças das pessoas, as idéias e as referencias. Precisamos falar mais de nós mesmos, “a importância do provincianismo na história da arte”.

15.Aponte o nome mais significativo para a história do cinema no Paraná (pessoa, instituição etc).

De Curitiba eu gosto muito do Fernando Severo, que foi meu primeiro professor de cinema. O Marcos Jorge também é um cara interessante, crescendo no cinema. Werner Schumann, com quem trabalhei e que é um dos meus padrinhos no cinema.
Hoje em dia os dois cineastas produzindo que eu mais admiro são o David Lynch, que me faz perder o sono, porque eu não consigo conceber que um filme como “estrada perdida” possa ser tão sensorial, tão interno; e a Lucrecia Martel, que faz filmes também muito pessoais, não lineares e sensoriais. E não tem como não citar o Godard, que é de uma geração que estudou muito antes de começar a produzir, e que revolucionou o cinema que a gente conhece hoje. Um artista que está sempre experimentando, pensando e produzindo, teorizando. Do cinema nacional, tem alguns caras incríveis: o Ruy Guerra, principalmente no filme “os cafajestes”, que é um dos meus preferidos. O Glauber, claro – “terra em transe” é cada vez melhor. O Júlio Bressane também é muito bom, sempre revolucionário. Walter Salles e Fernando Meirelles, Cláudio Assis e Karim Ainouz.
Acho que até hoje em dia, trabalhando com cinema há quase dez anos, eu aprendi só uma coisa, com Beckett (do teatro...):
“Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better.”
(Sempre tentei. Sempre falhei. Não importa. Tentar de novo. Falhar de novo. Falhar melhor.)

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Vinheta

Hoje tivemos nosso primeiro dia de edição (mais info em prox post) e também o primeiro contato com nossa vinheta finalmente pronta, deu trabalho, mas ficou linda, ainda falta a musica, mas isso vcs só verao no filme pronto.
Agradecimento ao Rafa, mas conhecido por Bic, ex-editor da BR que mesmo saindo de lá terminou a vinheta em casa. Valeu Rafa.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Entrevista com Luís Celso Junior

Entrevista com Luís Celso Junior, jornalista e administrador do blog http://bardocelso.blogspot.com, feita pela nossa roterista e fotógrafa, Mariana

1. Dentre as artes produzidas em Curitiba, qual a relevância e qual a posição que o cinema ocupa em relação às outras. Especialmente na Internet.

Bem, não há números ou um ranking que possa dar uma resposta dessa em termos objetivos. Seria necessário fazer uma pesquisa nesse sentido. Pela minha observação, acredito que o espaço jornalístico, seja ele nos jornais, internet, rádio ou tv, é mais ou menos proporcional ao número de notícias factuais que a "arte" proporciona. Ou seja, quanto mais produção, mais estréias, mais notícias.
Pensando desta forma, acho que em Curitiba temos em primeiro lugar --falando do que é produzido localmente, claro-- as artes cênicas (considerando o grupo de dança, circo e teatro, principalmente), seguido da música, artes visuais e depois audiovisuais, categoria na qual o cinema está.

O cinema, por ser caro de produzir, é feito em menor escala localmente. Já o teatro sai mais barato.


2. O público conhece tanto o cinema quanto a pintura, a fotografia e a música?


Acho que até mais. Também não posso afirmar com convicção, pois não há pesquisa nesse sentido. Mas creio que o público conheça mais de cinema em geral do que das outras "artes", principalmente dos filmes americanos de entretenimento.
3. O que seu site cobre, porque não existem muitos sites sobre a produção local?

Bem, sou repórter da área de Cultura e Educação na Gazeta do Povo Online e possuo um blog chamado Bar do Celso - cultura, diversão e boemia. Na Gazeta se cobre de tudo, com especial atenção para tudo que é local, quando existe essa produção local. Especialmente na internet, há um grande foco no serviço: dizer o que está acontecendo, onde, quando e do que se trata.

No meu blog, há uma produção mais descolada e informal. Procuro compor textos mais analíticos e opinativos sobre minhas vivências culturais. São resenhas do filme que vi, do livro que li, do cd que ouvi, dos bares e locais onde estive, além de dicas sobre o que acho interessante ver, ler, ouvir, etc. Tudo com um tom de quem bate um papo numa mesa de bar.

Acho que não há tantos veículos especificamente sobre a produção local por uma série de motivos, não sendo possível reduzir a apenas um ou dizer qual é o principal. Talvez porque os veículos grandes cumpram um pouco desse papel, de uma forma superficial sim, mas o suficiente para saber o que está acontecendo. Ou porque, no caso do cinema, a produção é pequena por questões orçamentárias, o que inviabiliza a sobrevivência de veículos de caráter noticioso que trate somente disso. Etc, etc, etc...

4. Qual é o papel da crítica sobre a produção paranaense? qual espaço ela tem e porque ela aparece pouco?

O papel da crítica na produção paranaense é o mesmo que em qualquer outra produção, lançar um olhar crítico (não necessariamente crica!) e aprofundado sobre os produtos culturais.

Porque aparece muito pouco? Por uma série de fatores:

Acontece, de forma generalizada, que o espaço que os textos opinativos (onde se inclui a crítica) têm nos veículos está diminuindo gradativamente há anos, e não é só em Curitiba.

Primeiro que os jornais não têm mais a figura do crítico, que via os filmes e espetáculos e escrevia sobre eles. Pouquíssimos são pagos somente para isso, e a função foi sendo transferida para jornalistas que têm mais conhecimentos em determinadas áreas, com mais leitura, ou que entendem mais de cinema, mas que não têm necessariamente a formação para tal tarefa.

Além disso esse mesmo jornalista, além de fazer resenhas e não críticas aprofundadas, não tem tempo. As redações estão cada vez mais enxutas, com menos pessoal. Daí, acontece que tudo que é menos urgente fica sempre em segundo plano. Não é possível para um jornal deixar de dar matérias factuais sobre o que vai estrear, mas a crítica, a resenha, pode ficar para outra hora, ou nem sair. A prioridade é o factual, pelo menos em veículos com esse perfil. Longe de querer generalizar.

Um outro fator é que, para se fazer uma crítica é necessário ter visto o filme, por exemplo. E nem sempre sobra tempo para isso ou se tem esse benefício antes que do filme estrear, que seria o momento mais adequado para colocar um texto crítico.


5. De que forma as leis de incentivo, as escolas, a TV Educativa e a RPC, entre outros, têm contribuído para o fomento da produção local? A Internet tem mais influência do que os outros veículos?

Calma. Não posso responder por veículos com quais não tenho contato, nem por um grupo inteiro. Tenho ciência de coisas isoladas. Como, por exemplo, o espaço que a RPC TV abriu para a produção de curtas para a televisão que são veiculados na Revista RPC. Além do que, na Gazeta, há uma orientação local muito forte. Sempre que temos ciência de algo paranaense, isso entra na pauta. Acontece que muitas vezes o jornal não é avisado (por meio de releases, etc.) o que dificulta o trabalho. Hoje, os repórteres não têm mais tempo para pesquisar muito, descobrir o que está acontecendo, etc.

Se a internet tem mais influência. Acredito que nem mais, nem menos. Não há nenhum fomento em específico, garantindo exibição, por exemplo, como a RPC TV. Mas na Gazeta do Povo Online temos a mesma orientação sobre a produção local. Sempre entra na pauta.


6. Por que, em geral, as produções paranaenses, principalmente longas, não conseguem uma certa posição de destaque, ou pelo menos divulgação nacional?

Depende do que se entende por posição de destaque. Na minha opinião, pode-se dizer que não ficam conhecidos nacionalmente pelo grande público porque não há dinheiro para grandes projetos nacionais . Os audiovisuais que são exibidos em grandes redes são os que têm dinheiro de produção e para divulgação, e visam lucro. Muito do material produzido aqui não quer lucrar, e sim fazer cinema.

7. Quais os filmes paranaenses que tiveram reconhecimento no cenário nacional? A que se pode atribuir esse reconhecimento?

Acho que a pergunta mais correta é que tipo e de quem é o reconhecimento a que você se refere. Se estiver falando de premiações, por exemplo, lembro que os curtas "Balada do Vampiro", de Estevan Silvera e Beto Carminatti, e "Satori Uso", de Rodrigro Grota, foram premiados em Gramado. São dois filmes de ótima qualidade, e forma premiados em quesitos técnicos.

Se você se refere a bilheteria, bem, que outros filmes regionais você encontra em exibição no cinema? Os poucos, têm produção nacional, normalmente apoiados por grandes empresas de comunicação. É o caso do gaúcho "Saneamento Básico", do Jorge Furtado, uma das poucas produções mais regionais que recebeu esse tipo de reconhecimento. Paranaense, não lembro de nenhum. Talvez o "Mistéryus", o último trabalho da Lala Schineider, obtenha algum destaque nesse sentido.

Reconhecimento da crítica e que marcou história, você tem "Aleluia Gretchen", de Sylvio Back, por exemplo.

8. Que filmes apontaria como os mais representativos da história do cinema paranaense? (Produtores, diretores, atores e toda a equipe).

Olha, é complicado eleger desta forma, ainda mais lembrar de um equipes inteiras, não é mesmo? Além disso não sou especialista. Prefiro fazer um sortido de nomes que me vêm no momento, sem nenhum critério de melhor ou pior.

Acho o o "Aleluia Gretchen", do Sylvio Back, um grande filme. Os filmes de Valência Xavier, que tem uma participação decisiva no cinema paranaense, como diretor e autor de muitos roteiros, além de ser pesquisador e literato, também são ótimos. Fernando Severo é um outro grande nome na direção. Na interpretação temos os globais Guta Stresser e Luis Mello, além de Anderson Faganello e a Lala. Documentários? João Baptista Groff (o pioneiro) e Eduardo Baggio.

9. Quais características do cinema no nosso estado?

Não sei se dá para falar em características marcantes. Essas são coisas que mudam com o tempo, de realizador para realizador, etc. Acho que dá para dizer que grande parte do que foi feito tem como pontos recorrentes o baixo orçamento e a experimentalidade.

10. Qual sua opinião em geral quanto ao cinema paranaense e o que ele precisa para ganhar espaço na mídia e "conquistar" o público?

Minha opinião é que temos que continuar a construção do cinema paranaense. Ele não é uma coisa estática, somos nos que fazemos o que ele é. Temos que investir mais na produção e na exibição, assim como todo o Brasil. Os problemas que temos aqui são os mesmos de outros estados. É uma situação nacional, e deve mudar em todo o país. Talvez falte um olhar global e ações locais.

Ganhar espaço na mídia e conquistar o dito grande público são coisas para filmes que tem esse objetivo. Os filmes experimentais têm seu público também, e não precisam de espaço na mídia. São divulgados no boca-a-boca. Acho complicado falar em generalizações desta forma. O sucesso é obter êxito em seu objetivo. Se um filme pretende atingir apenas determinada faixa de público, e consegue, obteve sucesso. Nem todos os projetos ser grandes Blockbusters.

E, mesmo falando em sucesso comercial, não há fórmula do sucesso. Cada realizador deve criar a sua.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Entrevista com Wikerson Landim

Esta foi a entrevista feita pela nossa roterista e fotógrafa Mariana com Wikerson Landim da BWP Comunicação, administradora do Portal de Cinema.

1. Dentre as artes produzidas em Curitiba, qual a relevância e qual a posição que o cinema ocupa em relação às outras. Especialmente na Internet.Acredito que a música seja arte mais divulgada e que vem obtendo resultados mais expressivos no cenário nacional. Recentemente a literatura começou a apresentar bons resultados e as artes, com a inauguração do Museu Oscar Niemeyer, também ganharam mais visibilidade. O cinema cuitibano também tem apresentado crescimento, mas seus resultados ainda são muito locais. Há um grande número de cursos voltados para a área - de extensão e universitários - e, se o grande problema era a distribuição nos cinemas, com a internet o acesso a esse material ficou relativamente mais fácil. O número de produções aumentou e, consequentemente, surgiram novas produções de qualidade. No entanto a divulgação e exibição ainda é muito restrita às pessoas que estão no meio, o que faz com que o grande público não tome conhecimento da maior parte da produção local.

2. O público conhece tanto o cinema quanto a pintura, a fotografia e a música?Se fizermos um comparativo em termos de obras, temos quadros, esculturas e composições mais conhecidas do que longas e curtas paranaenses. Em termos de profissionais a comparação também é válida. Apesar de termos diretores relevantes - como Sylvio Back, por exemplo, ou profissionais como Alessandro Laroca, editor de som de Cidade de Deus que realizou todo o trabalho do filme em Curitiba e recebeu prêmios técnicos nos EUA, concorrendo com grandes produções como O Senhor dos Anéis, por exemplo - a visibilidade do que é produzido e de quem produz ainda é restrita.

3. O que seu site cobre, porque não existem muitos sites sobre a produção local?
No Portal de Cinema procuramos trazer de todo um pouco. O destaque maior é para as produções que estão em cartaz nos cinemas, o que dá mais visibilidade para o site e, consequentemente, maior número de acessos. Quanto ao cinema local procuramos divulgar todos os cursos, ações promovidas pela fundação cultural, bem como links para curtas e outras produções locais. O espaço é aberto e gratuito. Acredito que não existam outros sites do gênero justamente pela falta de apoio por parte das empresas privadas. O Portal de Cinema, por exemplo, está há mais de dois anos no ar e nunca recebeu apoio financeiro, apenas apoio em termos de divulgação visibilidade.

4. Qual é o papel da crítica sobre a produção paranaense? qual espaço ela tem e porque ela aparece pouco?Acredito que a proximidade da crítica com os realizadores torne a repercussão de suas obras um tanto quanto paternalista. Valoriza-se sim o que é produzido aqui, mas acabam esquecendo de apontar erros e propor novos caminhos, com medo de que isso desistimule novas produções. Num primeiro momento, como incentivo à produção isso é válido. No entanto em termos de divulgação no cenário nacional isso é prejudicial, uma vez que a crítica de outros estados - em especial RJ, SP e RS - é mais incisiva.

5. De que forma as leis de incentivo, as escolas, a TV Educativa e a RPC, entre outros, têm contribuido para o fomento da produção local? A Internet tem mais influência do que os outros veículos?As leis de incentivo são de fundamental importância. Existem bons editais e uma quantia relativamente interessante destinada a produção local, tanto pela Fundação Cultural de Curitiba, quanto pela Secretaria de Cultura do Estado. Em minha opinião o que falta é uma contrapartida. Um exemplo hipotético: se um filme recebe uma verba de 1 milhão de reais e arrecada 10 milhões de reais esse lucro é todo do produtor. Deveria haver uma obrigatoriedade para que parte desse dinheiro fosse reinvestido em novas produções. O resultado é que as verbas acabam ficando restritas às mãos de grandes produtoras, inibindo as pequenas a apresentar novos trabalhos. A RPC, timidamente, começa a exibir algum tipo de produção local. Mas ainda é muito pouco se comparado ao que poderia fazer. Já a TV Educativa apresenta bons documentários e produções locais de longa data e permanece como referência nessa área. A internet poderia proporcionar muito mais do que faz atualmente. A idéia do Portal é justamente vir a centralizar a exibição desse tipo de produção para o grande público.

6. Por que, em geral, as produções paranaenses, principalmente longas, não conseguem uma certa posição de destaque, ou pelo menos divulgação nacional?Principalmente pela falta de apoio de um circuito exibidor e de distribuidoras com peso no cenário nacional. Esse não é um problema exclusivo do cinema paranaense. Com exceção de SP, RJ e RS, todos os demais estados estão em situações semelhantes. Em Curitiba, apenas a Cinemateca, o Cine Luz e o Unibanco Arteplex, por exemplo, exibem periodicamente filmes locais.
7. Quais os filmes paranaenses que tiveram reconhecimento no cenário nacional? A que se pode atribuir esse reconhecimento?
Nas décadas de 70 e 80 os filmes de Sylvio Back (diretor paranaense atualmente morando no RJ), como Aleluia Gretchen e A Guerra dos Pelados. Mais recentemente, o filme Onde Os Poetas Morrem Primeiro, dos irmãos Schumann, O Preço da Paz, de Paulo Morelli, e a animação de BRichos, de Paulo Munhoz. Há ainda muitas produções de qualidade em termos de curta metragem premiadas em festivais pelo país, de cineastas como Paulo Munhoz, Geraldo Pioli, Beto Carminatti entre outros.

8. Que filmes apontaria como os mais representativos da história do cinema paranaense? (Produtores, diretores, atores e toda a equipe).Os mesmos que citei na pergunta acima. Além disso reassaltaria alguns outros curtas-metragens premiados em festivais no país. Aldeia, Templo das Musas, ambos de Geraldo Pioli, Pax, de Paulo Munhoz, a obra de Fernando Severo, documentários de Luciano Coelho e Berenice Mendes entre outros.

9. Quais características do cinema no nosso estado?
Temos um cinema preocupado em mostrar as nossas origens, com histórias que remetem à miscelânia de culturas de nosso estado. No entanto muitas vezes, peca pelo excesso pois acaba não abordando histórias universais, o que dificuta a visibilidade por parte daqueles que nasceram em outros estados ou que não possuem as referências da cultura local.


10. Aponte o nome mais significativo para a história do cinema no Paraná (pessoa, instituição, etc.).
É difícil apontar apenas um nome. Mas em termos históricos, Anibal Requião, no início do século passado, um dos pioneiros do cinema paranaense. Sylvio Back, conquistu prestígio com suas obras nas décadas de 70 e 80. E atualmente Alessandro Laroca, editor de som, responsável pelo som em filmes como Cidade de Deus e 2 Filhos de Francisco, e Paulo Munhoz, da animação BRichos, são alguns dos nomes que poderia citar.

11. Qual sua opinião em geral quanto ao cinema paranaense e o que ele precisa para ganhar espeço na mídia e "conquistar" o público?
Antes de tudo acho que as pessoas precisam conhecer mais o que já existe. A televisão durante muitos anos pecou ao se negar a fazer esse papel. Acredito que com a internet cada vez mais pessoas terão acesso a esse material, porém não podemos nos esquecer que a TV ainda é a maior referência de massificação de mídia. É preciso que se faça também uma revisão nas leis de incentivo a cultura para que elas peçam uma contrapartida em percentual de lucro ou mesmo de aplicabilidade social (criação de novos cursos, acesso a equipamento, oficinas de roteiro, etc). E, principalmente, a questão da distribuição de filmes nos grandes cinemas precisa ser revista, para que possa, de alguma forma, privilegiar as produções locais.

Entrevista com Estevan Silveira

Esta é a entrevista de Estevan Silveira concedida à nossa figurinista e maquiadora Diana:

Carreira
1.Como começou o interesse por cinema?
Meu interesse começou nos anos 90. Quando comecei a fazer um trabalho de assistência de direção com o Chongking. Em 92 montei um vídeo experimental e fui diretor, o nome era mulheres em fuga.

2.Quais as suas influências – cinematográficas, literárias etc?
Gosto muito do trabalho do Orson wels, as comedias italianas e um pouco de cinema europeu e americano.

3.A sua formação – instrução, família, amigos, coisas que gosta de fazer, inspiração...
Formação acadêmica: Letras. Acabei de fazer uma pós graduação em produção e direção de documentários. Fiz mais alguns cursos, mas o bom é a experiência.
Gosto muito de literatura por isso procuro fazer um casamento entre cinema e literatura (Dalton Trevisan), também tenho uma formação em turismo e meio ambiente.
Nas oras vagas gosto de ler, ouvir música (Rock n´ Roll) e praticar esportes - judô, futebol, velejar.

4.Quais os temas que mais trabalha, nos filmes?
Atualmente em relação à cidade de Curitiba. No final do ano vou rodar um filme ”Em busca de Curitiba perdida”, um curta em 35mm.

5.Filmografia (título, bitola, duração e ano de estréia de todos os filmes)
1992 – Suplício de uma Saudade / assistente de direção
1992 – Tenderly / assistente de direção
1993 – A teia de renda negra / co-direção
1993 – Mulheres em Fuga / direção - produção
1994 – Conheça o Paraná / direção - produção
1995 – Ezequiel / direção - produção
1995 – Guaraqueçaba “ Ninho de Guáras” / direção - produção
1996 – Que Fim Levou o Vampiro de Curitiba? / direção - produção
1997 – Retrato 3X4 / direção - produção
1998 – Rainha de Papel / direção - produção
2000 – Tadashi “ poeta do traço “ / direção – produção
2001 – O Escapulário / direção – produção
2002 – Belo, Feio & Maldito / direção - produção
2003 – Punhal na Garganta / direção – produção
2004 – Penélope / direção – produção
2006 – Balada do Vampiro / direção – produção ( filme em 35 mm )

6.Carreira dos filmes – prêmios, críticas
crítica – elogios. Datas que saírem
PREMIAÇÕES
RAINHA DE PAPEL ( vídeo - documentário )
21º - Guarnicê de Cine - Vídeo de São Luís - MA
Troféu Jangada OCIC ( Office Catholic International du Cinéma )
Especial do juri – riqueza de personagem
Itaú Cultural – melhor vídeo

BALADA DO VAMPIRO ( Filme – ficção )
4º Festival de Cinema de Maringá -PR
Troféu CUNHA DE AÇO – melhor fotografia curta-metragem em 35 mm
35º Festival de Cinema de Gramado – RS
Troféu KIKITO – melhor música / direção de arte curta-metragem em 35 mm

7.O que foi mais marcante em sua história profissional (pedir pra contar a história...)?
Existem dois momentos marcantes:
- Documentário chamado Rainha de Papel. Que aconteceu nos anos 90. Realizei um sonho de uma pessoa (artista de rua que ficou super conhecida) e documentário ganhou prêmios.
- O último trabalho “Balada do Vampiro” que ganhou prêmio em Gramado.

8.Como definiria o seu estilo como diretor? Esteticamente etc
Procuro a realização de um trabalho que me satisfaça em vários aspectos. Que tenha um paralelo entre a música, literatura e fotografia. “Balada do Vampiro” teve tudo isso. Minha maior marca é trabalhar com os marginais, como Dalton Trevisan.

Produção
9.Como tem sido o seu modo de realizar filmes - produção, verba, recursos humanos (pedir para descrever como acontece o processo, desde a criação)
Hoje para você fazer um curta em película você não faz sem lei de incentivo. Custa em torno de 50, 60mil para realizar. A finalização é em são Paulo, então fica bem mais caro.
O problema é na divulgação, existem duas formas que ela pode ser feita: mostra de cinemas ou canal de tv fechado.
Ou você produz, monta, edita com recursos próprios. Ou então realiza através de leis.
Eu busco fazer dois trabalhos por ano (um por lei de incentivo, um por conta própria).
A Lei de Incetivo funciona assim:
Você tem a idéia, monta o roteiro e manda para a lei. Aprovado o roteiro, faz a captação de verba. Monta uma equipe (eu tenho pessoas que trabalham há vários anos). Conforme a estética que quero dar ao filme eu chamo o diretor de fotografia. E dependendo do estilo chamo o músico mais adequado. A equipe técnica é sempre a mesma.

10.Como são divulgados os seus filmes?
São passados em festivais. Mas isso depende muito, por exemplo em Gramado ganhei dois prêmios, enquanto no festival do Rio e de Santos nem entraram.

11.De que forma as leis de incentivo, as escolas, a TV Educativa e a RPC, entre outros, têm ajudado a sua carreira?
A Educativa sempre ajudou na divulgação, mas nunca realizei nada com eles. A escola de cinema nunca participei.

12.Sobre a questão técnica - poucas pessoas conseguem sobreviver de cinema no Paraná, portanto toda a equipe técnica acaba "fugindo" para a publicidade para sobreviver da sua profissão. Como é lidar com isso? Com quais os técnicos tem trabalhado mais frequentemente e o que significa.Eu não vivo só de cinema. Agora nesse momento eu estou conseguindo não gastar dinheiro do meu bolso para fazer esse trabalho. Mas também não estou ganhando. Tem pessoas que tem que migrar para área de publicidade, é o que mais paga.
Em Curitiba existem várias faculdades e vários cursos que formam diretores, roteirista, produtor. No entanto, não formam equipe técnica. Então é difícil de achar. Se você não conhece e complicado.
Eu já tenho uma equipe técnica que trabalham comigo faz tempo.

13.E a formação de mão de obra – tem opinião formada sobre os cursos de cinema locais?
Alguns são picaretas e outros não. Basta saber quais são e não. Tem alguns que eram meros caça níqueis (começaram e já acabaram).

14.É possível viver de cinema no Paraná? É só a questão financeira? Quais são as outras dificuldades? O que é necessário para que o profissional possa viver só de cinema?É possível se só se dedicar a isso e correr atrás. Dar aula, entrar na parte acadêmica também. Eu não faço só isso, sou comerciante.

15.Aponte o nome mais significativo para a história do cinema no Paraná (pessoa, instituição etc).
João Batista Grof foi um grande artista. Na época que o cinema era muito difícil de fazer ele fazia, ele documentou toda uma época do Paraná.